Como é sabido, as Universidades, Faculdades e Politécnicos do nosso País, iniciaram uma vaga de ultimatos aos seus estudantes, ou pagam as propinas em atraso ou toda a sua carreira curricular académica ficará nula.
Segue a minha resposta ao ultimato.
"Prezado Chefe da Divisão Académica,
é com uma tristeza profunda que acabo de receber esta mensagem de correio electrónico, doravante designada de ultimato.
Lamentavelmente
ambos estamos em incumprimento, eu porque não efectuei os pagamento
relativos às propinas deste ano, o senhor porque,
ao enviar um ultimato desta natureza aos alunos, viola uma série de
princípios da Carta Universal dos Direitos Humanos, da Constituição
Europeia e do espírito de Bolonha, de pelo menos de dois artigos da
Constituição Portuguesa.
Porém numa análise mais profunda a esta incomoda situação, talvez nenhum de nós tenha efectiva culpa da mesma.
O senhor, porque é testa de ferro de um sistema politico que
encarrega os alunos do ensino superior de financiarem unilateralmente as
Universidades, Faculdades e Politécnicos do nosso País. Sinceramente
não creio, que foi por vontade própria que solicitou a um@ qualquer
funcion@rio da sua divisão para redigir este ultimato. Provavelmente,
recebeu essa directiva do seu director de departamento, que por sua vez,
a recebeu do director da Faculdade, que a tempo a teria recebido do
nosso Reitor, que na instituição devida, o Conselho de Reitores,
aceitou-a sem levantar muitas questões.
Eu, porque não solicitei a ninguém uma vida de trabalho precário,
incerto, remunerado fora de horas, a recibos verdes, que com a maior das
facilidades, acumula dividas, por incumprimentos alheios, a várias
instituições do Estado, finanças, segurança social, Universidade e por
opção própria, na regularização das mesmas, deixo sempre para ultimo
aquela a que o senhor representa.
Temo como é óbvio, "a anulação de todos os actos curriculares
praticados", mas recuso por absoluto a solução que por Vós é
apresentada, a contracção de empréstimo pelo "Fundo de Garantia criado
pelo Estado e acordado com algumas instituições
bancárias, designadamente a Caixa Geral de Depósitos e o Banco
Santander Totta". Como é do vosso conhecimento, a proliferação desta
facilidade, levou a que cada aluno norte-americano deva a uma
instituição de crédito no fim da sua carreira académica 25 mil euros, e
em caso de não regularização deste empréstimo em tempo estipulado,
surpreenda-se, para além de todos os problemas com a banca, o empréstimo
prevê em incumprimento a anulação do curso. Na minha óptica, só estaria
a adiar um problema e como tal não aceitarei a solução que apresenta.
Infelizmente, nenhuma garantia de concreto posso apresentar. Na
recusa de imigrar mais uma vez, incentivado psicologicamente, pelo
Governo da Republica, abri muito recentemente uma empresa. Constituída
sem fundos perdidos, sem chorudas verbas do QREN, sem incentivos para
jovens empresários, esses pelos vistos só estão ao alcance de alguns.
Daqueles que vivem da militância partidária - compreenda-se num dos
partidos do "arco governativo"-, da fomentação de uma privatização, de
contratos publico-privados. Como tal, se todas as empresas para as quais
vendo serviços, cumprirem os seus prazos de pagamento, para que eu
possa em primeiro lugar, pagar aos funcionários da minha e depois a mim
próprio, conto todos os meses, realizar os pagamentos em atraso, a
começar já por este mês, Maio de 2012. Fico portanto expectante que esta
"pescadinha de rabo na boca" funcione, que o Estado pague ás empresas
de construções civil e obras públicas, para que estas possam pagar os
serviços que contratam a minha, para que eu possa receber um ordenado
todos os meses, para que possa pagar as minhas "obrigações" ao Estado.
Com os melhores cumprimentos,
Romão Ramos"